CINÉDIA: PATRIMÔNIO DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO
Última atualização em Qui, 01 de Abril de 2010 21:12 Escrito por Aurora Leão Qui, 01 de Abril de 2010 21:04
CINÉDIA: PATRIMÔNIO DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO
Em 15 de março de 1930 o jornalista Adhemar Gonzaga tornou-se oficialmente o grande píoneiro do Cinema Brasileiro ao inaugurar a CINÉDIA, primeiro estúdio cinematográfico do país em moldes industriais. Até 1952, a companhia realizou mais de 700 produções de curta duração e 55 longas.
Um belo casarão histórico em Santa Teresa, tradicional bairro carioca, é onde funciona atualmente a sede da CINÉDIA. Neste novo espaço, a Companhia vai festejar seus 80 anos com a concretização de uma série de projetos: a digitalização de parte relevante do acervo de fotos e documentos raros, a restauração de 7 filmes com apoio da Petrobrás - exibidos em breve em mostras e festivais - e, a partir de março, a realização de diversos cursos na área cultural.
Desde 1970, Alice Gonzaga está à frente da CINÉDIA num meritório esforço para dar continuidade ao trabalho do pai. Alice atua como produtora/pesquisadora/escritora e nos últimos anos concentrou quase toda sua atenção à restauração dos filmes. No total, 17 já foram restaurados. Por este trabalho, Alice já recebeu alguns prêmios e homenagens - o mais recente foi outorgado pela Academia Brasileira de Cinema e será entregue em cerimônia a ser realizada em março no Rio de Janeiro.
A CINÉDIA já atravessou diversas fases e o auge da produção ocorreu até meados dos anos 50. Durante esse período, através de extensa produção, foram consagrados artistas como Carmen Miranda, Dercy Gonçalves, Paulo Gracindo, Anselmo Duarte, Dalva de Oliveira, Emilinha, Dulcina de Moraes entre outros. A CINÉDIA também lançou diretores e técnicos hoje reconhecidos como Humberto Mauro, Edgar Brasil, Moacyr Fenelon, Hipólito Collomb e Luís de Barros.
Nos anos 1960, a CINÉDIA dedicou-se a co-produções e nos anos de 1970/80 passou à locação de estúdio e equipamentos, com destaque para a televisão e publicidade. Ultimamente, uma das principais atividades da Cinédia tem sido a restauração de clássicos produzidos por Adhemar Gonzaga tais como Alô Alô Carnaval (1936), um dos grandes êxitos musicais, e O Ébrio (1946), ainda hoje uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro.
Os filmes produzidos pela Cinédia retratam o país e sua cultura na primeira metade do século XX. Era uma época adversa para a produção cinematográfica, na qual se dependia totalmente da iniciativa privada. Adhemar Gonzaga usou recursos próprios para modernizar a produção brasileira e introduzir práticas como efeitos especiais, maquiagem, star system e equipamentos como grua, mesa de som, etc.
Adhemar Gonzaga (na foto, no set com Carmen Miranda) foi aos Estados Unidos ver de perto como acontecia a produção cinematográfica e trouxe essas inovações sem a pretensão de fazer uma réplica de Hollywood, e sim para realizar filmes onde a cultura e a vida brasileiras fossem evidenciadas. Estes filmes são hoje uma rica fonte de compreensão daquele período, preservam a nossa memória e proporcionam o contato com o passado.
Mais que isso, o histórico invejável da Cinédia e seu precioso acervo espelham a própria trajetória do audiovisual brasileiro, sendo portanto um gesto inerente a qualquer estudioso de nossa Cultura o reconhecimento à companhia cinematográfica cujos 80 de atividades ininterruptas se celebram este ano, consagrando-a definitivamente como Patrimônio do Cinema e da Cultura Brasileiras.






